É comum ouvir mulheres no climatério comentando sobre esquecimentos frequentes, dificuldade de concentração ou sensação de que a mente está “lenta”. Algumas relatam que perdem o fio da conversa, esquecem onde colocaram objetos ou demoram para lembrar nomes. Nem sempre isso está ligado apenas ao cansaço.
O que pode acontecer com o cérebro na menopausa
Durante a transição menopausal, há uma redução gradual de estrogênio. Esse hormônio tem influência em áreas cerebrais associadas à memória, foco e estabilidade emocional. Por isso, alterações cognitivas podem surgir nesse período, especialmente entre mulheres com demandas mentais elevadas e rotinas intensas.
Essa alteração costuma ser referida como “brain fog”, ou névoa mental, e pode gerar incômodo. Não é uma doença, mas sim um sintoma que merece atenção. Em algumas situações, os lapsos de memória são leves e temporários. Em outras, passam a interferir nas tarefas do cotidiano.
Quando observar com mais atenção
Se os esquecimentos passam a ser frequentes e atrapalham a rotina, é importante conversar com um profissional de saúde. Alguns pontos de atenção incluem:
- Dificuldade de lembrar informações recentes com frequência
- Perda de foco em atividades habituais
- Dificuldade de organizar tarefas simples
- Sensação de sobrecarga mesmo com tarefas já conhecidas
Esse tipo de sintoma precisa ser avaliado em conjunto com histórico clínico, exames laboratoriais e hábitos de vida.
Outros fatores que podem causar sintomas semelhantes
Além da oscilação hormonal, outras condições de saúde também podem afetar o funcionamento cognitivo. Entre as mais comuns:
- Deficiência de vitamina B12 ou ferro
- Alterações da tireoide
- Uso de medicações que interferem na atenção
- Sono de baixa qualidade
- Ansiedade, estresse crônico ou quadros depressivos
- Oscilações glicêmicas associadas à resistência insulínica
Por isso, é fundamental uma avaliação individualizada. Nem todo esquecimento está relacionado diretamente à menopausa. Nem todo caso exige reposição hormonal.
Cuidados possíveis
Diversas abordagens podem ser discutidas com a equipe de saúde. Entre elas:
- Organização do sono e do ambiente noturno
- Estratégias para redução de estresse
- Alimentação ajustada ao momento de vida
- Atividade física regular
- Avaliação da necessidade de suplementações
- Discussão sobre intervenções, quando houver indicação
O mais importante é lembrar que esse sintoma não deve ser ignorado. O cuidado com a saúde mental e cognitiva faz parte da abordagem integral da saúde da mulher.
